Quando surge uma fissura em casa, podemos pensar que a estrutura está a mover-se. Mas a pergunta importante não é essa. A verdadeira pergunta é: por que está a mover-se?
Para responder a isso com dados e não com suposições, a GeoNovatek analisou 170 intervenções reais realizadas em diferentes pontos de Espanha. O objetivo era claro: identificar quais patologias estruturais são mais frequentes consoante a técnica utilizada para solucioná-las.

Injeções de resina expansiva
Nas intervenções realizadas com injeção de resinas expansivas (HDR300), 35% dos casos estavam relacionados com a lavagem do terreno. Ou seja, perda de material fino devido ao deslocamento de água no solo. Outros 28% correspondiam a aterros mal compactados.
Em termos simples: o terreno perde consistência e a fundação deixa de se apoiar de forma uniforme. O edifício não “cai”, mas começa a assentar de forma desigual — assentamento diferencial. E é aí que surgem as fissuras.
Microestacas
O padrão muda quando falamos de microestacas. Aqui, o principal motivo de intervenção é o aumento de carga (22%), seguido de erros de projeto ou execução (16%) e intervenções em obra nova (16%).
Isto revela algo importante: em muitos casos, o problema não está apenas no terreno, mas no facto de a estrutura ou o solo estarem a suportar mais peso do que aquele para o qual foram dimensionados. Ampliações, mudanças de uso, reformas… Se a fundação original não estava preparada, é necessário reforçá-la em profundidade.

Lift & Block
No caso do Lift & Block (injeções de resina expansiva e microestacas), as percentagens estão mais distribuídas. Lavagens e aterros representam 23% cada, enquanto a expansividade do terreno atinge 20%.
Este último ponto é fundamental. As argilas expansivas mudam de volume consoante a humidade — incham quando absorvem água e retraem quando secam. Esse movimento contínuo gera tensões na fundação. Por isso, esta técnica é muito utilizada em solos com comportamento variável.
Lift Pile
Nos sistemas Lift Pile, quase metade das intervenções (44%) está relacionada com aterros.
Isto ocorre frequentemente em ambientes urbanos onde o subsolo foi modificado várias vezes: escavações antigas, canalizações, ampliações… Com o tempo, esses aterros podem perder estabilidade e provocar assentamentos.
A lavagem do terreno (19%) e a subsidência (13%) completam o quadro.
Não existe uma solução única
Uma das conclusões mais claras do estudo é que nem todas as patologias são iguais e, portanto, não se resolvem da mesma forma.
• Se o problema for perda de material ou má compactação, atua-se sobre o terreno.
• Se houver sobrecargas ou erros estruturais, é necessário um reforço profundo.
• Se o solo for expansivo, é preciso estabilizar o seu comportamento.
Escolher a técnica correta depende de um diagnóstico preciso.