Que patologias estruturais são mais frequentes segundo o tipo de edifício?

As seguintes conclusões foram extraídas de uma análise da GeoNovatek baseada numa amostra representativa de 170 intervenções reais.

Quando num edifício começam a aparecer fissuras, deformações ou problemas de estabilidade, quase nunca é por acaso. Por detrás desses danos costuma haver uma causa concreta e, muito frequentemente, está relacionada com o tipo de edifício e com o comportamento do terreno onde se apoia.

Para compreender melhor estes padrões, a GeoNovatek analisou uma amostra representativa de 170 intervenções reais realizadas em diferentes tipos de construções. Um dos objetivos era identificar quais as patologias que mais se repetem segundo o tipo de edifício e o que esses dados nos dizem sobre a origem dos problemas.

Neste sentido, importa destacar que a lavagem do terreno é a patologia que mais se repete nas diferentes tipologias de edifícios analisadas, seguida dos aterros mal compactados.

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Habitações unifamiliares: lavagem do terreno


Nas habitações unifamiliares há um claro protagonista: a lavagem do terreno (27%). Trata-se da patologia mais habitual quando se intervém neste tipo de edificações.


Este problema costuma surgir devido a infiltrações de água, fugas em redes enterradas ou sistemas de drenagem deficientes, que vão arrastando gradualmente o material do solo sob as fundações. O resultado é um terreno que perde resistência e começa a ceder, provocando assentamentos que se traduzem em fissuras visíveis e danos estruturais.
Além da lavagem do terreno, também é frequente encontrar aterros mal compactados (25%), sobretudo em habitações construídas sobre terrenos modificados ou em ampliações realizadas posteriormente à obra original, seguidos pelos problemas derivados da expansividade do terreno (20%).


Complexos industriais: aterros


Neste caso, o problema que mais se repete é o aterro mal executado (23%).


Estamos a falar de um tipo de edificações onde é bastante comum encontrar terrenos previamente modificados, nivelados ou preenchidos sem uma compactação adequada. Com o passar do tempo, esses aterros acabam por perder estabilidade e criam assentamentos irregulares, que se tornam visíveis através de fissuras, deformações nos pavimentos ou danos em elementos estruturais chave.


Em segundo plano surgem as lavagens do terreno (19%). Assim, infiltrações de água ou uma má gestão da drenagem arrastam material do solo, agravando uma situação já delicada e acelerando o aparecimento de danos estruturais.


Por fim, também se detetam erros de projeto ou de execução (15%).

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Edifícios de habitação coletiva: lavagem do terreno


A patologia que surge com maior frequência é a lavagem do terreno (46%).


A presença de água sob as fundações provoca a perda progressiva de material do solo. Isto faz com que o terreno deixe de trabalhar de forma homogénea e surjam assentamentos que se traduzem em fissuras persistentes, especialmente visíveis em fachadas, garagens e zonas comuns.


Em segundo lugar, embora com menor expressão, surgem os erros de projeto ou de obra (27%). Trata-se de situações em que o dimensionamento das fundações ou a sua execução não tiveram devidamente em conta as características reais do terreno, gerando problemas estruturais ao longo do tempo.


Em terceiro lugar encontram-se a obra nova e a expansividade do terreno (ambas com 7%).


Edifícios comerciais: aumento de carga


Nos edifícios comerciais, o aumento de carga (67%) é, de longe, a patologia mais relevante.


Remodelações, mudanças de atividade, redistribuições interiores ou a incorporação de novos equipamentos fazem com que estes edifícios acabem por suportar mais peso do que o previsto no projeto original. Quando as fundações não estão preparadas para assumir esse aumento de carga, começam a surgir assentamentos, deformações e fissuras que afetam tanto a estrutura como a utilização diária do edifício.


Seguem-se, embora com presença bastante menor, patologias como a expansividade do terreno, os erros de projeto ou de obra e os aterros mal executados.


Piscinas e campos desportivos: aterros


Em piscinas e campos desportivos, o aterro (63%) é a patologia mais recorrente.


Trata-se de construções muito sensíveis ao comportamento do terreno, já que normalmente assentam sobre superfícies amplas e relativamente pouco profundas. Quando os aterros não estão bem compactados ou não são homogéneos, com o passar do tempo surgem assentamentos irregulares que resultam em fissuras, desníveis e deformações visíveis nos pavimentos e nas estruturas periféricas.


Em segundo lugar surgem os erros de projeto ou de obra (12%).


Edifícios públicos: lavagem do terreno e erros de projeto/obra


Nos edifícios públicos repetem-se duas patologias com igual incidência: erros de projeto ou de obra e lavagens do terreno (ambas com 29%).


Por um lado, muitos dos problemas estão relacionados com a forma como a obra foi projetada ou executada desde o início. Fundações que não consideraram devidamente o tipo de terreno ou trabalhos realizados com pressa ou sem o controlo necessário acabam por ter consequências. Em edifícios utilizados diariamente e durante muitos anos, estas falhas nem sempre se manifestam de imediato, mas surgem com o tempo sob a forma de fissuras ou pequenos movimentos que só se tornam evidentes quando já são significativos.


Por outro lado, a lavagem do terreno é um fator igualmente determinante. A água que se infiltra sob o edifício vai removendo gradualmente o material do solo. Quando o terreno perde consistência, o edifício ressentese, surgindo assentamentos e problemas de estabilidade que já não podem ser ignorados.

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Centros educativos: aterros


A patologia mais frequente é o aterro mal executado (50%).


Em muitos destes centros, os terrenos foram previamente modificados ou apresentam camadas de aterro que nem sempre foram corretamente compactadas. Com o passar do tempo, esses aterros perdem estabilidade e provocam assentamentos que se traduzem em fissuras e deformações, especialmente visíveis em zonas comuns e pátios.


Em segundo lugar surgem a expansividade do terreno e as lavagens (ambas com 17%), duas patologias diretamente relacionadas com o comportamento do solo. As variações de humidade em solos argilosos e a presença de água sob as fundações atuam como fatores que agravam os movimentos do terreno e aceleram o aparecimento de danos.


Edifícios de saúde: aumento de carga


Destaca-se o aumento de carga (34%) como a patologia mais recorrente.


Hospitais, centros de saúde e clínicas costumam sofrer ampliações, remodelações e a incorporação de equipamentos pesados ao longo do tempo. Tudo isto faz com que a estrutura e as fundações tenham de suportar cargas superiores às previstas no projeto original, o que pode provocar assentamentos, deformações e fissuras caso o terreno não esteja preparado para tal.


Em segundo lugar surgem a obra nova e os erros de projeto ou de obra (ambas com 33%), patologias que, embora com menor incidência, também estão relacionadas com as fases iniciais da construção ou com decisões técnicas que não se ajustaram totalmente às condições reais do terreno.


Estruturas religiosas: árvores


Nas estruturas religiosas, o problema mais frequente tem uma origem muito específica: as árvores que rodeiam o edifício (34%).


Isto deve-se ao facto de, ao longo dos anos, as raízes de árvores de grande porte afetarem o terreno onde o edifício assenta. Podem secar o solo, deslocá-lo ou fazer com que perca uniformidade sob as fundações. Tudo isto acaba, mais cedo ou mais tarde, por se traduzir em fissuras e deformações que afetam edifícios que, em muitos casos, permanecem de pé há séculos.


A alguma distância surgem outros dois fatores igualmente relevantes: a expansividade do terreno e os erros de projeto ou de obra (ambas com 33%).


Obras civis: escavações e lavagem do terreno


Nas obras civis, os problemas repetem-se de forma bastante clara e estão fortemente ligados à forma como o terreno é trabalhado. As duas principais causas são as escavações e as lavagens do terreno.


As escavações alteram o equilíbrio natural do solo, sobretudo quando são realizadas perto de outras construções ou em contextos urbanos. Ao movimentar o terreno, é fácil que surjam assentamentos ou deslocamentos que acabam por afetar os edifícios vizinhos.


A isto juntam-se as lavagens do terreno, provocadas pela presença de água, infiltrações ou sistemas de drenagem mal resolvidos. A água vai arrastando gradualmente o material do solo, fazendo com que o terreno perca resistência. Se não for controlado, este processo pode agravar ainda mais os efeitos de uma escavação e colocar em risco a estabilidade das estruturas próximas.

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Jordi Torres

Arquiteto técnico da Geonovatek

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