Fuga em piscina de concreto: riscos para a fundação e soluções

Uma fuga numa piscina de concreto não é apenas um incómodo porque o nível da água baixa. É um daqueles problemas que parecem não ser graves, mas que podem transformar-se num problema estrutural se não forem resolvidos a tempo.


O verdadeiro problema não é a água que se perde, mas sim onde essa água vai parar. Na maioria dos casos, infiltra-se no terreno que rodeia a habitação. E é aí que tudo começa. De facto, é bastante comum que alguém pense que a piscina está apenas a evaporar mais do que o normal, quando na realidade já está a perder água há semanas sem se aperceber.

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Porque é que uma fuga na piscina afeta a fundação?

Quando existe uma fuga numa piscina de concreto, a água infiltra-se no terreno e altera o seu comportamento. Um solo que estava seco e compacto começa a saturar-se e a perder resistência. Ou seja, deixa de funcionar como previsto quando a piscina foi construída.

Não é um processo imediato, mas sim progressivo. E esse é precisamente o problema. É semelhante ao que acontece quando se rega excessivamente uma zona do jardim: no início não se nota nada, mas, com o tempo, a terra torna-se mais mole e perde consistência.

Do ponto de vista técnico, isto gera três efeitos claros:

• O terreno perde capacidade de carga.
• A água arrasta partículas finas do solo e cria vazios internos.
• Surgem assentamentos diferenciais (uma parte da fundação afunda mais do que outra).

Na prática, isto traduz-se em fissuras, portas que deixam de fechar corretamente ou pequenos deslocamentos na habitação. Não é raro que uma piscina perca água durante meses sem que a fuga seja detetada e que o primeiro sintoma visível apareça dentro de casa.

Além disso, se existirem muros enterrados ou caves, a água acumulada pode gerar pressão lateral adicional, provocando um problema estrutural grave.

 

Sinais de alerta

O problema de uma fuga numa piscina de concreto é que os sinais costumam ser subtis no início, quase impercetíveis, e muitas vezes não lhes damos importância. No entanto, eles estão lá.

Um dos sinais mais evidentes é a descida constante do nível da água. Se precisa de encher a piscina de poucos em poucos dias, algo não está certo.

Também é comum observar zonas húmidas à volta da piscina, como terra permanentemente molhada, relva mais verde num ponto específico ou até lama persistente.

Com o passar do tempo, os sinais tornam-se mais evidentes:

• Pequenas fissuras na piscina ou nos pavimentos adjacentes.
• Azulejos ou revestimentos desalinhados.
• Ligeiros afundamentos no terreno.

Um caso muito comum é aquele lado da piscina onde existe sempre humidade. Os dias passam e a situação mantém-se, podendo ser um sinal claro de uma fuga ativa.

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Diagnóstico e solução técnica

Tentar localizar uma fuga numa piscina de concreto sem meios técnicos costuma dar maus resultados. O erro mais frequente é assumir que o problema está onde se vê, quando muitas vezes não é esse o caso.

Por exemplo, pode surgir uma fissura no tanque da piscina, mas a origem real estar numa tubagem enterrada a vários metros de distância.

Por isso, o diagnóstico profissional é fundamental.

Para identificar a origem da fuga, utilizam-se:

• Ensaios de estanquidade para confirmar a perda real de água.
• Sistemas de gás traçador para detetar o percurso da fuga.
• Equipamentos acústicos para localizar fugas em tubagens.

Além disso, são inspecionados pontos críticos como skimmers, projetores, bocais de impulsão e juntas.

Depois de localizada a origem do problema, a solução depende da causa. As intervenções mais comuns incluem:

• Selagem de fissuras com resinas específicas.
• Reparação ou substituição de tubagens.
• Reimpermeabilização do tanque da piscina.

Existe um aspeto essencial que muitas vezes é ignorado: reparar apenas os danos visíveis sem eliminar a causa da fuga não resolve o problema. Mais cedo ou mais tarde, a fuga voltará a aparecer.

Sinal

O que indica

Descida constante do nível da água

Possível fuga ativa

Zonas húmidas persistentes na envolvente

Infiltração no terreno

Fissuras na piscina ou no pavimento

Movimento estrutural

Revestimentos desalinhados

Assentamento do terreno

Pequenos afundamentos

Perda de estabilidade do solo

Prevenção e manutenção

A maioria das fugas não surge de forma repentina. Normalmente começa com pequenas perdas de água que passam despercebidas. E é precisamente aí que existe uma oportunidade para atuar.

Controlar regularmente o nível da água é a medida mais simples e eficaz. Detetar uma variação a tempo pode alterar completamente o cenário.

Também é importante inspecionar a piscina após o inverno ou depois de longos períodos sem utilização, uma vez que as variações de temperatura afetam juntas e materiais.

Pequenos detalhes fazem a diferença:

  • Verificar se o nível da água desce mais do que o habitual.
  • Identificar zonas húmidas persistentes.
  • Inspecionar os pontos críticos antes do início da época de utilização.

Uma fissura detetada a tempo resolve-se rapidamente. A mesma fissura, ignorada durante meses, pode acabar por comprometer a estabilidade do terreno.

Em resumo, uma fuga numa piscina de concreto não é um problema menor. Trata-se de uma ocorrência que pode acabar por afetar a estabilidade do terreno e da própria habitação. A diferença está em detetar o problema atempadamente, realizar um diagnóstico correto e executar uma reparação adequada. Porque aquilo que hoje é uma pequena fuga pode transformar-se amanhã num problema estrutural.

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Carolina Iglesias

Engenheiro de obras públicas na Geonovatek

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