Fissurómetro: para que serve e quando é conveniente utilizá-lo

Poucas coisas geram mais preocupação numa habitação do que descobrir uma fissura onde antes não existia nada. Quer apareça numa parede da sala, na fachada ou junto a uma janela, a primeira reação é quase sempre a mesma: será algo sem importância ou devo preocupar-me?

O problema é que uma fissura nem sempre revela toda a história. Existem fissuras que permanecem exatamente iguais durante anos e outras que, embora pareçam pequenas, continuam a evoluir lentamente. A olho nu é muito difícil perceber essa diferença. Por isso, antes de tirar conclusões ou ponderar uma intervenção de maior dimensão, o mais sensato é verificar se existe realmente movimento.

É aqui que entra em cena o fissurómetro, também conhecido como medidor de fissuras, uma ferramenta simples, mas muito útil, que permite saber se uma fissura está estabilizada ou se continua a evoluir ao longo do tempo.

Importa referir que a GeoNovatek envia gratuitamente o seu medidor de fissuras a quem o solicitar através do seu website, permitindo acompanhar a evolução das fissuras.

operarios mirando una grieta en la fachada

O que é um fissurómetro ou medidor de fissuras?

Um fissurómetro é um dispositivo instalado sobre uma fissura para monitorizar a sua evolução. De forma simples, serve para verificar se essa abertura permanece igual ou se continua a movimentar-se.

Muitas vezes chegamos a um edifício onde os proprietários nos mostram uma fissura e fazem sempre a mesma pergunta: “Isto pode piorar?” A realidade é que ninguém pode responder com segurança apenas observando a fissura. Ela pode manter-se inalterada há anos ou estar a aumentar lentamente.

Por exemplo, é bastante comum encontrar uma fissura por cima de uma porta ou num canto da habitação após vários anos. À primeira vista pode parecer preocupante, mas enquanto não for acompanhada ao longo do tempo, não sabemos se estamos perante um problema ativo ou apenas uma lesão antiga que estabilizou há muito tempo.

O que é?

Dispositivo instalado sobre uma fissura para acompanhar a sua evolução.

Para que serve?

Permite saber se a fissura permanece estável ou continua a evoluir.

Problema que resolve

Evita tomar decisões baseadas apenas numa inspeção visual.

Exemplo

Uma fissura sobre uma porta pode parecer preocupante, mas só o acompanhamento confirma se continua ativa.

Como funciona um fissurómetro

O funcionamento de um fissurómetro é bastante simples. Coloca-se sobre a fissura e permite medir pequenos movimentos que seriam impossíveis de detetar a olho nu.

A melhor forma de o compreender é pensar nas marcas feitas numa parede para acompanhar o crescimento de uma criança. Uma única marca diz pouco. Mas, à medida que passam os meses e surgem novas referências, torna-se fácil perceber se houve alterações. Com as fissuras acontece exatamente o mesmo.

Por isso, o mais importante não é a leitura de um único dia, mas sim o acompanhamento ao longo do tempo. Comparando as medições efetuadas durante semanas ou meses, os técnicos conseguem determinar se a fissura permanece estável, se está a abrir ou se existe algum movimento que exija maior atenção.

fisurometro midiendo una grieta

Aplicações do fissurómetro na construção e nas fundações


O fissurómetro é utilizado sobretudo quando existem dúvidas sobre a origem ou a evolução de uma fissura.


Um dos casos mais frequentes está relacionado com problemas nas fundações. Quando o terreno sofre assentamentos ou deslocamentos, mesmo que muito lentos, o edifício costuma refletir essa situação através de fissuras em paredes, fachadas ou elementos estruturais.


Antes de planear qualquer intervenção, o primeiro passo é perceber se esse movimento continua ou se já estabilizou. Também é importante identificar exatamente qual a zona afetada, para que a intervenção seja realizada, sempre que possível, apenas na área danificada.


Também é frequente recorrer a fissurómetros em edifícios antigos. Muitas construções apresentam fissuras que fazem parte da estrutura há décadas sem causarem qualquer problema. O acompanhamento permite verificar se essas lesões históricas continuam estáveis ou se ocorreu alguma alteração recente.


Mesmo em obras realizadas nas proximidades podem revelar-se muito úteis. Por exemplo, quando está a decorrer uma escavação junto de um edifício, controlar eventuais movimentos proporciona maior segurança e permite detetar qualquer alteração numa fase precoce.


Como interpretar as medições de um fissurómetro e quando intervir


É aqui que normalmente reside a questão principal. Nem todas as fissuras são preocupantes e nem todas exigem uma reparação urgente.


Na verdade, uma fissura relativamente grande que permanece inalterada há vários anos pode ser menos preocupante do que uma fissura pequena que continua a aumentar lentamente.


Por isso, quando analisamos os dados fornecidos por um fissurómetro, não observamos apenas a dimensão da fissura. O mais importante é compreender o seu comportamento ao longo do tempo.


Se as medições demonstrarem estabilidade durante vários meses, normalmente estamos perante uma situação controlada. Se, pelo contrário, os registos indicarem que a fissura continua a evoluir, é o momento de investigar com maior profundidade a causa desse movimento.


No final, o fissurómetro não resolve o problema por si só, mas substitui as suposições por informação objetiva. E quando falamos de patologias estruturais, dispor de dados concretos é sempre o melhor ponto de partida para tomar uma decisão acertada.

 

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Carolina Iglesias

Engenheiro de obras públicas na Geonovatek

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