As filtrações de água nas fundações costumam começar com sinais que parecem pouco importantes, como uma mancha na cave, tinta que começa a estalar, cheiro a humidade ou uma pequena poça junto à fachada depois de vários dias de chuva.
O mais habitual é pensar que basta secar a zona e voltar a pintar, mas o verdadeiro problema pode estar a ocorrer debaixo dos nossos pés. Se a água chegar continuamente ao terreno que suporta o edifício, pode arrastar partículas, criar vazios ou alterar as condições de resistência do solo.
Com o tempo, uma parte da fundação pode perder apoio e assentar mais do que outra, provocando fissuras e deformações. Isto não significa que qualquer humidade vá colocar uma habitação em risco, mas é importante descobrir de onde provém antes de simplesmente a ocultar.
Reparar apenas a mancha seria como desligar o aviso do painel do carro sem verificar o que está a falhar no motor.
Por isso, quando surgem infiltrações recorrentes, fissuras, abatimentos ou alterações no funcionamento de portas e janelas, é importante analisar a origem da água e verificar se a fundação e o terreno de apoio sofreram alguma alteração.
Como chega a água até à fundação?
A água procura sempre o caminho mais fácil. Uma pequena fissura, uma junta deteriorada, uma impermeabilização deficiente ou uma inclinação mal executada podem ser suficientes para que a água se acumule junto às fundações.
Entre as causas mais frequentes das infiltrações de água nas fundações encontramos:
- Fugas nas tubagens de abastecimento ou saneamento.
- Roturas em redes enterradas.
- Falhas ou deterioração da impermeabilização.
- Sistemas de drenagem insuficientes ou deteriorados.
- Chuvas intensas ou precipitações prolongadas.
- Subida do nível freático.
- Tubos de queda que descarregam a água demasiado perto da fachada.
- Caleiras obstruídas ou deterioradas.
- Inclinações exteriores que conduzem a água para o edifício.
- Rega excessiva junto à fachada.
- Fugas de piscinas, depósitos ou outras instalações.
Em alguns casos, o problema surge durante a construção. Noutros, aparece anos mais tarde como consequência da deterioração de uma instalação, de alterações no terreno ou até de uma modificação do ambiente envolvente do edifício.
Imaginemos que, depois de remodelar o jardim, o pavimento fica inclinado na direção da casa. Sempre que chove, a água concentra-se no mesmo ponto. Primeiro aparece uma mancha na garagem e, meses mais tarde, uma fissura diagonal.
O problema não estava necessariamente na pintura nem na própria fissura. A água estava a alterar as condições do terreno situado junto à fundação.
Porque é importante localizar a origem da água?
Porque nem todas as infiltrações têm a mesma origem nem requerem a mesma solução.
Se existir uma fuga numa tubagem, reparar a impermeabilização não resolverá o problema. Se a água vier de uma inclinação exterior, poderá ser necessário alterar o sistema de drenagem. E se a água já tiver provocado uma perda de material ou uma alteração das propriedades do terreno, será necessário avaliar uma intervenção geotécnica.
Por isso, o primeiro objetivo de uma reparação deve ser identificar de onde vem a água e como está a chegar até à fundação.
Que danos pode a água causar no terreno?
A fundação transmite o peso do edifício ao terreno. Para funcionar corretamente, precisa de estar apoiada num solo com condições adequadas de resistência e deformabilidade.
Podemos imaginar o terreno como um colchão: se este se deformar apenas numa determinada zona, a construção deixa de estar apoiada de forma uniforme.
A água pode afetar o terreno de diferentes formas, dependendo da sua composição, permeabilidade, estrutura e condições iniciais.
Lavagem ou arrastamento de partículas
Em determinados terrenos, especialmente quando existem materiais soltos, aterros ou zonas suscetíveis de erosão interna, a circulação da água pode arrastar partículas finas.
É semelhante ao que acontece com um castelo de areia quando deitamos água continuamente sobre um dos lados: parte do material desloca-se e pode acabar por formar-se um vazio.
Se este processo ocorrer sob uma fundação, pode verificar-se uma perda de apoio.
Na nossa experiência, este tipo de situação pode provocar assentamentos da estrutura quando a lavagem afeta de forma localizada o terreno situado sob a fundação. Foi o que aconteceu, por exemplo, numa habitação em El Burgo de Ebro (Saragoça), onde as infiltrações de água da chuva provocaram a lavagem do terreno e o assentamento de parte da estrutura.
Ver o caso real da GeoNovatek em Saragoça
Saturação do terreno
Quando um solo recebe uma quantidade significativa de água, as suas condições podem alterar-se. Dependendo do tipo de terreno, a saturação pode afetar a sua resistência e a forma como transmite as cargas.
Isto é especialmente relevante quando a fundação já trabalha próxima da capacidade de suporte disponível.
Além disso, a água pode alterar as condições de determinados aterros ou materiais pouco compactados e favorecer movimentos que não ocorreriam em condições normais.
Alterações de volume em terrenos argilosos
Os terrenos argilosos podem apresentar um comportamento diferente.
Algumas argilas aumentam de volume quando incorporam água e contraem quando perdem humidade. Se estas alterações ocorrerem de forma repetida ou desigual sob um edifício, podem surgir movimentos diferenciais.
O problema não é apenas o facto de o terreno estar húmido, mas também o facto de o teor de água e as propriedades do solo poderem variar de forma diferente entre determinadas zonas.
Perda de apoio sob a fundação
Quando a água provoca um vazio, uma erosão localizada ou uma perda das condições de apoio, a fundação pode deixar de transmitir as cargas de forma uniforme.
Isto pode provocar movimentos que se manifestam sob a forma de:
- Fissuras em paredes e fachadas.
- Fissuras diagonais.
- Fissuras em escada nas paredes de alvenaria.
- Desníveis nos pavimentos.
- Deformações em portas e janelas.
- Separações entre elementos construtivos.
- Assentamentos localizados.
Nem todas estas patologias têm necessariamente origem na água. Por isso, é importante não confundir um sinal com um diagnóstico.
Sinais que convém vigiar
Uma humidade isolada não demonstra que exista um problema estrutural, mas é aconselhável solicitar uma avaliação quando surgem vários sinais ou quando estes evoluem ao longo do tempo.
Entre os mais frequentes encontramos:
- Humidade que reaparece depois de cada chuva.
- Bolor e cheiro persistente a humidade.
- Eflorescências ou depósitos esbranquiçados nas paredes e pavimentos.
- Tinta ou revestimentos que se desprendem.
- Aumento do consumo de água sem uma explicação clara.
- Fissuras diagonais ou em forma de escada.
- Fissuras que aumentam de largura.
- Portas e janelas que começam a roçar.
- Pavimentos inclinados.
- Abatimentos junto à fachada.
- Aparecimento de vazios ou cavidades no terreno exterior.
- Água acumulada de forma recorrente junto ao edifício.
Uma porta que roça pode ter simplesmente uma dobradiça desalinhada. Mas se também surgir uma fissura sobre o aro e humidade na parede, convém verificar se existe algum movimento.
Sinal | O que pode indicar? |
Humidade que reaparece depois de cada chuva | Entrada recorrente de água através de paredes, juntas, sistemas de drenagem ou zonas próximas da fundação. |
Bolor, maus odores ou depósitos esbranquiçados | Presença continuada de humidade em paredes, pavimentos ou elementos enterrados. |
Aumento do consumo de água sem causa aparente | Possível fuga numa tubagem próxima da fundação ou sob o edifício. |
Fissuras diagonais ou em forma de escada | Podem estar relacionadas com movimentos ou assentamentos diferenciais. |
Portas e janelas que começam a roçar | Podem surgir como consequência de pequenos deslocamentos ou deformações. |
Pavimentos inclinados ou abatimentos junto à fachada | Podem indicar movimentos do terreno, perda de apoio ou problemas de drenagem da água. |
A evolução também fornece informação. Uma fissura estável há anos não tem o mesmo significado que uma fissura que aumenta progressivamente depois de um período de chuvas.
Como são diagnosticadas as infiltrações nas fundações?
Antes de reparar, é necessário responder a três perguntas:
- De onde vem a água?
- Por onde está a circular?
- Afetou o terreno ou a fundação?
Responder a estas perguntas permite diferenciar um problema de humidade ou impermeabilização de uma patologia geotécnica que exige uma intervenção mais profunda.
Inspeção visual do edifício
O diagnóstico começa com uma inspeção das zonas afetadas.
São analisadas as humidades, fissuras, desníveis, revestimentos, ligações entre elementos construtivos e possíveis sinais de movimento.
Também é analisada a relação entre as lesões e o ambiente exterior.
Análise do ambiente envolvente
É necessário verificar como a água se comporta em redor do edifício.
Podem ser analisados:
• Caleiras.
• Tubos de queda.
• Caixas de visita.
• Sumidouros.
• Redes de saneamento.
• Inclinações do terreno.
• Pavimentos exteriores.
• Sistemas de drenagem.
• Sistemas de impermeabilização.
• Zonas ajardinadas e sistemas de rega.
Um tubo de queda que descarrega diretamente junto a uma fundação pode gerar um problema muito diferente de uma subida do nível freático.
Localização de fugas
Quando existe suspeita de uma fuga oculta, podem ser utilizados diferentes métodos de inspeção e deteção.
Dependendo do caso, podem realizar-se ensaios de estanquidade, inspeções através de câmaras ou outras técnicas destinadas a localizar a origem da entrada de água sem necessidade de realizar demolições desnecessárias.
Controlo das fissuras
Os fissurómetros permitem controlar a evolução de determinadas fissuras e verificar se continuam a aumentar.
Este acompanhamento é especialmente útil quando existem dúvidas sobre se uma lesão está ativa.
Estudo do terreno e da fundação
Quando existem indícios de assentamento, perda de apoio ou alteração das condições do terreno, pode ser necessário realizar um estudo geotécnico ou utilizar técnicas de investigação do subsolo.
O objetivo é conhecer o que está a acontecer abaixo da superfície e determinar se existe uma perda de capacidade portante, um vazio, um terreno descomprimido ou outra alteração.
Escolher uma solução sem conhecer a origem do problema significa trabalhar às cegas.
Técnicas para corrigir as infiltrações e os seus danos
A ordem é importante: primeiro controla-se a entrada de água e depois corrigem-se as suas consequências.
De pouco serve consolidar o terreno se uma tubagem continuar a perder água ou se a chuva continuar a concentrar-se junto ao edifício.
Nas obras que realizámos, encontramos precisamente esta diferença: nem sempre é suficiente resolver a entrada de água; quando o terreno já perdeu parte das suas condições de apoio, também é necessário atuar sobre o terreno ou sobre a fundação.
O caso de Saragoça é um bom exemplo. As infiltrações de água da chuva tinham provocado a lavagem do terreno e o assentamento da estrutura. Por isso, a intervenção combinou a consolidação do terreno através de resinas expansivas com o recalçamento através de micropilares.
A solução depende sempre da causa, do tipo de terreno, do sistema de fundação, da extensão dos danos e das condições da obra.
Reparação de fugas e melhoria da drenagem
Se a origem for uma avaria, é necessário reparar a canalização ou o sistema de drenagem.
Quando a água provém do exterior, pode ser necessário:
- Corrigir as inclinações.
- Limpar ou reparar caleiras.
- Afastar os tubos de queda da fachada.
- Melhorar a drenagem superficial.
- Reparar caixas de visita e coletores.
- Instalar ou melhorar uma drenagem perimetral.
- Evitar acumulações de água junto à fundação.
A intervenção deve garantir que a água deixa de se concentrar na zona problemática.
Impermeabilização
As paredes enterradas, juntas e ligações entre elementos podem ser protegidas através de diferentes sistemas de impermeabilização, selagem ou barreiras contra a humidade.
Estas intervenções podem ser adequadas quando o principal problema é a entrada de água através de um elemento construtivo.
No entanto, é necessário distinguir entre impedir que a água continue a entrar e reparar as consequências que a água já provocou no terreno.
Uma impermeabilização pode impedir uma infiltração, mas não recupera, por si só, um terreno que tenha perdido material, resistência ou capacidade de apoio.
Injeções de resina expansiva
Se se tiverem formado vazios ou zonas descomprimidas sob a fundação, as injeções de resina expansiva podem ser utilizadas para os preencher e melhorar as condições do terreno tratado.
É uma técnica localizada e pouco invasiva, embora a sua viabilidade dependa do terreno, da profundidade e da dimensão dos danos.
Na GeoNovatek utilizámos este tipo de solução em intervenções nas quais a água tinha alterado as condições do terreno. Na intervenção realizada em Saragoça, as infiltrações de água da chuva tinham provocado a lavagem do terreno sob parte da fundação.
As injeções permitiram atuar sobre o terreno afetado, enquanto os micropilares foram utilizados para recalçar a fundação e transferir as cargas para zonas mais estáveis.
Este tipo de intervenção demonstra por que razão a solução não deve ser encarada apenas do ponto de vista da humidade visível: quando a água afetou o terreno, é também necessário recuperar as condições de apoio da fundação.
Recalçamento com micropilares
Quando o terreno superficial não apresenta capacidade de suporte suficiente ou quando o problema atinge camadas mais profundas, pode ser necessário recalçar a fundação.
Os micropilares permitem transferir as cargas do edifício para estratos do terreno com melhores condições de resistência.
Na GeoNovatek, os micropilares MP/60 são utilizados em intervenções de recalçamento e reforço de fundações quando as características do terreno e do edifício tornam este sistema recomendável.
Face a uma solução superficial, o recalçamento profundo permite atuar sobre o sistema de transmissão de cargas quando o problema não pode ser resolvido apenas através da melhoria do terreno próximo da fundação.
Como escolher a solução adequada?
Não existe uma única técnica válida para todas as infiltrações de água nas fundações.
A solução depende da origem da água e das características do terreno e do edifício.
Problema identificado | Possível intervenção |
Fuga numa tubagem | Reparação ou substituição da tubagem. |
Água superficial junto à fachada | Correção das inclinações e drenagem. |
Drenagem insuficiente | Melhoria ou instalação do sistema de drenagem. |
Entrada de água através de uma parede | Impermeabilização ou selagem. |
Vazios ou zonas descomprimidas sob a fundação | Avaliar a consolidação através de injeções. |
Terreno superficial com capacidade insuficiente | Estudar uma solução de melhoria ou recalçamento. |
Necessidade de transferir cargas para um terreno mais competente | Recalçamento através de micropilares, se recomendado pelo estudo. |
Esta tabela não substitui um diagnóstico técnico. A mesma manifestação pode ter diferentes causas e, por isso, diferentes soluções.
Por exemplo, uma fissura na fachada pode dever-se a um assentamento, a movimentos térmicos, a problemas estruturais, a defeitos de construção ou a alterações no terreno.
A presença de água, por si só, não demonstra que seja a responsável pela fissura.
É possível reparar uma infiltração sem levantar o edifício?
Em muitos casos, sim.
Uma das vantagens de determinadas técnicas de reparação e consolidação é poderem ser executadas através de intervenções localizadas e com uma intervenção reduzida no edifício existente.
A solução concreta dependerá das condições da obra. Em determinados casos, podem ser realizadas perfurações de pequeno diâmetro para executar injeções ou instalar micropilares, evitando demolições extensas.
Isto pode ser especialmente relevante em:
- Habitações ocupadas.
- Edifícios existentes.
- Espaços comerciais.
- Pavilhões industriais.
- Edifícios com acesso difícil.
- Construções nas quais não seja viável expor toda a fundação.
Ainda assim, uma solução pouco invasiva não significa uma solução improvisada. A intervenção deve ser sustentada por um diagnóstico que permita definir onde, quanto e como intervir.
Prevenir é sempre mais simples
Evitar que a água se acumule junto às fundações pode prevenir problemas posteriores.
Algumas medidas são simples:
- Limpar periodicamente caleiras e caixas de visita.
- Manter os tubos de queda corretamente ligados.
- Verificar se as inclinações afastam a água da fachada.
- Inspecionar os sistemas de drenagem.
- Controlar a rega nas proximidades do edifício.
- Reparar rapidamente as fugas.
- Vigiar alterações nas fissuras existentes.
- Verificar humidades que reaparecem depois das chuvas.
- Controlar abatimentos ou desníveis no terreno exterior.
Também é recomendável prestar atenção a alterações que surgem em conjunto.
Uma humidade isolada pode ter uma causa simples. Mas humidade recorrente + fissuras + desníveis + alterações em portas ou janelas justificam uma avaliação mais detalhada.
Conclusão: nem todas as infiltrações são iguais
As infiltrações de água nas fundações podem limitar-se a um problema de impermeabilização, drenagem ou escoamento de águas. Mas, em determinadas condições, também podem alterar o terreno de apoio e contribuir para problemas nas fundações.
A experiência da GeoNovatek em intervenções como a realizada em Saragoça demonstra que uma infiltração de água nem sempre termina numa simples humidade. Quando a água provoca a lavagem ou alteração do terreno, podem surgir perdas de apoio, assentamentos e danos no edifício que exigem uma intervenção geotécnica.
A chave está em distinguir estes dois cenários.
A água pode provocar ou agravar problemas através de diferentes mecanismos: acumulação, saturação, erosão, lavagem de partículas, formação de vazios ou alterações de volume em determinados terrenos.
Por isso, quando surgem infiltrações recorrentes acompanhadas de fissuras, assentamentos ou deformações, não basta eliminar a humidade visível.
É necessário determinar:
de onde vem a água → como afeta o terreno → que consequências tem na fundação → qual é a solução adequada.
Na GeoNovatek estudamos cada caso para determinar se é suficiente controlar a entrada de água ou se também é necessário atuar sobre o terreno através de técnicas de consolidação ou sobre a fundação através de sistemas de recalçamento.
Porque tapar a mancha pode melhorar a parede, mas nem sempre resolve o que está a acontecer por baixo.